domingo, 22 de fevereiro de 2015

As Minhas Apostas para os Oscars 2015

Estamos a poucas horas de conhecer os vencedores da maior noite do ano... Nestes últimos momentos, faço as minhas previsões.

Melhor filme: Boyhood - Momentos de uma Vida; Richard Linklater e Cathleen Sutherland

Porque será vencedor: Além de ter vencido já vários prémios (Golden Globe, Bafta, etc.), é, de facto, o melhor filme desta lista (pelo menos, dos que eu vi - ficou a faltar-me 3: Sniper Americano, Selma, O Jogo da Imitação). É súbtil na forma como foi filmado ao longo dos 12 anos e quase não tem falhas técnicas.

Melhor Realização: Richard Linklater por Boyhood - Momentos de uma Vida OU Wes Anderson por Grand Budapest Hotel

Porque será vencedor: Para mim, o justo vencedor seria Wes Anderson que é quem, de facto, faz a 100% o trabalho de realização (tanto a nível dos atores, como a nível técnico), mas devido ao frenesim de Boyhood será, quase de certeza, Richard Linklater (que, também, é bastante bom, ainda assim...)

Melhor ator: Eddie Redmayne por A teoria de tudo  

Porque será vencedor: É o tipo de papéis que a Academia gosta de premiar e, de facto, apesar do filme não ter qualquer excelência de realização, esquecemos que o ator está lá e vemos praticamente apenas a personagem retratada.

Melhor atriz: (apesar de não ter visto o filme, será a vencedora, pela mesma razão do anterior e por já ter sido premeada várias vezes pelo papel): Julliane Moore por O meu nome é Alice

Melhor Ator Secundário: J. K. Simmons por Whiplash, Nos Limites 

Porque será vencedor: Também é do tipo de papéis que a Academia gosta de premiar. J. K. Simmons está brilhante e totalmente louco! Num grande papel em que também quase nos esquecemos do ator....

Melhor Atriz Secundária: Patricia Arquette por Boyhood 

Porque será vencedor: É quem o merece; é tambem um pouco o "efeito Boyhood" mas, de facto, para mim é a melhor da lista, este ano.

Melhor Argumento Original: Grand Budapest Hotel, Wes Anderson  e Hugo Guinness

Porque será vencedor: Wes Anderson sabe criar histórias com mestria e esta é mais uma delas... É original, tal como todas as suas histórias, normalmente, e qualquer público gosta dele...

Melhor Argumento Adaptado: A teoria de tudo,  Anthony McCarten

Porque será vencedor: É história verídica e já ganhou o Bafta...

Melhor Filme de Animação: sem filmes vistos mas deverá ser Como Treinares o teu dragão 2

Melhor Filme Estrangeiro: Ida, Pawel Pawlikowski

Porque será vencedor: É o que mais se destaca pela diferença... Um filme bastante inovador, apesar de ser filmado a preto e branco.

Melhor Documentário: sem filmes vistos, provavelmente Citizen Four  

Melhor Curta Documental: apenas vi La Parka; provável vencedor Crisis Hotline: Veterans Press 1

Melhor Curta de Animação: não vi todos; provável vencedor Feast

Melhor Curta: não vi todos; provável vencedor Boogaloo and Graham

Melhor Canção Original: provável vencedor Everything is Awesome

Melhor Música: Grand Budapest Hotel


Porque será vencedor: Wes Anderson acerta sempre em tudo e sabe o que faz... e a música no seu filme é mais uma delas, brilhantemente pontuada com grandes destaques nos momentos dramáticos como, por exemplo na inesquecível sequência da perseguição na neve.

Melhor Edição e Mistura de Som e Efeitos Visuais: provavelmente Interstellar

Melhor Cenografia: Grand Budapest Hotel



Porque será vencedor: Praticamente pela mesma razão que a música; os sets do filme estão perfeitos!

Melhor Fotografia: Ida

Porque será vencedor: Volto a referir que prima pela diferença e, apesar de ter planos um pouco estranhos para o cinema tradicional, a fotografia está adequadíssima para o filme.

Melhor Caracterização e Cabelo: Foxcatcher

Porque será vencedor: Só pelo nariz de Steve Carell, merece logo o prémio...!

Melhor Desenho de Guarda-Roupa: provavelmente Os Caminhos da Floresta

Melhor Edição: Grand Budapest Hotel

Porque será vencedor: Só o facto de ter 3 aspect ratios diferentes e estarem tão bem conjugados...


sábado, 13 de dezembro de 2014

European Film Awards 2014



Os European Film Awards 2014 são entregues esta noite, às 18h, e pela primeira vez (finalmente!), tem transmissão em direto na RTP2.

Aqui estão as minhas previsões para os European Film Awards 2014, das categorias em que foram divulgados os nomeados:

Nota: algumas categorias estão marcadas -- por não ter visto (ou conhecer) qualquer filme da categoria; as restantes categorias escolhi em base, não só de filmes já vistos por mim, mas, também, pelas cerimónias de prémios (ou críticas) já decorridas.

Filme Europeu:
Ida, Pawel Pawlikowski ou Ninfomaníaca, Lars Von Trier

Comédia Europeia:
--

Realizador Europeu:
Pawel Pawlikowski, Ida

Atriz Europeia:
Marion Cottilard, Dois dias, uma noite

Ator Europeu:
Timothy Spall, Mr. Turner

Argumentista (s) Europeu (s):
Irmãos Dardenne, Dois dias, uma noite

Revelação Europeia:
Party Girl

Documentário Europeu:
Sacro Gra, Gianfranco Rosi

Filme de Animação Europeu:
--

Curta-Metragem Europeia:
--

Escolha do Público:
Ninfomaníaca, Lars Von Trier

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A magia aos olhos de Woody Allen



O novo filme de Woody Allen chegou hoje às salas portuguesas. Magia ao Luar conta, nos papéis principais, com Colin Firth e Emma Stone, tendo, também, no restante elenco nomes como Jacki Weaver, Hamish Linklater, Eileen Atkins, entre outros.


Um mágico de truques Orientais (Wei Ling Soo/Stanley – Colin Firth) é chamado pelo seu grande amigo de longa data, Howard (Simon McBurney), a fazer mais um dos seus habituais trabalhos – desmascarar médiuns… É aí que surge Sophie (Emma Stone) que lhe irá baralhar todo o seu habitual sistema…



Longe dos grandes trabalhos de Woody Allen (como Annie Hall ou Manhattan), não chega, sequer, a superar o último trabalho – Blue Jasmine (que foi grandiosamente ostentado pela magnífica interpretação de Cate Blanchett) mas supera, sem dúvida alguma, o anterior a esse – Para Roma com Amor (provavelmente o mais fraco [ou, pelo menos, um dos mais fracos] trabalhos da carreira de Allen) …


Woody Allen fez a escolha acertada ao confiar a fotografia a Darius Khondji (com quem já havia trabalhado em Meia-noite em Paris ou Anything Else – A vida e tudo o mais) garantindo uma brilhante fotografia de época da Riviera Francesa dos anos 20, embora tenha uma pequenina falha pouco depois do início do filme que são reflexos solares que, acho, poderiam ser perfeitamente evitáveis…



O filme sustenta-se com a interpretação de Colin Firth que quer a todo o custo (mesmo tendo de ser sarcástico ou grosseiro) desmascarar a médium pois acredita, veemente, que não existem magias ocultas, não é possível o contacto com o oculto nem com o depois da vida…


Não é a primeira vez que Woody Allen lida com a magia ou a arte oculta (lembremo-nos do brilhantemente genial A maldição do escorpião de Jade) nem com os loucos anos 20 em França (que, aqui, felizmente, não se mostram demasiado exagerados como em Meia-noite em Paris, tendo, portanto a porção certa da época) …



É sempre agradável voltar ao cinema para mais uma obra anual de Allen com os habituais agradáveis sons do jazz, as habituais intrigas/pensamentos profundos, os habituais créditos, as habituais personagens complexas… Há, apenas, uma exceção neste filme – o final feliz – que não é nada habitual em Allen…


Veredito: ★★★★

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um "Monstro" Grandioso!


Ontem, passei uma grande e maravilhosa tarde com uma grandiosa obra-prima do realizador chileno (ou será português?, pelo menos conhece bastante os portugueses e a sua História...) Raúl Ruiz, não só grande de duração mas, também, de qualidade!

O cinema português ficou em grande com esta magnífica obra!

Mistérios de Lisboa é baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco e é um filme histórico de época que percorre o séc. XIX, século das Invasões Francesas em Portugal, do Absolutismo e do consequente Liberalismo (que se propagou pela Europa) …

Brilhantemente filmado, bem construído, a nível histórico e cinematográfico, Raúl Ruiz mostra-se como um verdadeiro mestre ao trazer-nos esta magnífica obra…


É difícil falar do filme com uma ação central, pois ele percorre várias histórias durante quase um século inteiro… Mas há uma personagem central que se liga, e está presente, em todas as histórias: o Padre Dinis, que se mostra como o conselheiro de praticamente todas as personagens. A outra personagem principal do filme é Pedro da Silva, um menino, supostamente, órfão que é recolhido pelo Padre e é ele quem lhe vai contar tudo sobre a sua identidade…


A fotografia de André Szankowski (nomeado para o Prémio Sophia para Linhas de Wellington, no ano passado) é simplesmente perfeita, guarda-roupa de época perfeito, planos e cenas encantadores (onde se destacam as cenas de baile), uso de luzes de mestre (só comparável com o, também, magnífico trabalho de Manoel de Oliveira) onde se destacam, não só, luzes escuras como também incríveis trabalhos de sombras (onde destaco a reflexão da luz do sol),…


Há, também, uma “pré-ligação” a Linhas de Wellington, em relação às cenas das Invasões Francesas.
Mistérios de Lisboa é, de facto, um “monstro” do cinema português, completamente sem falhas cinematográficas de realização e de interpretação (que é, também, de louvar as magníficas interpretações dos nossos atores, nomeadamente, Adriano Luz (o Padre), Maria João Bastos (a mãe de Pedro), Afonso Pimentel e o jovem João Luís Arrais (o Pedro da Silva, jovem e adulto), entre outros…) e pode-se ver como o E Tudo O Vento Levou português… E Tudo O Vento Levou mestria a Guerra Civil Americana e Mistérios de Lisboa a época de esplendor português (depois dos Descobrimentos) com a revelação da nobreza e da aristocracia… É, de facto, um trabalho de mestre!
Veredito:

terça-feira, 1 de julho de 2014

A emoção da escuridão


Vi, faz hoje precisamente uma semana, um grandioso filme do grande mestre dinamarquês Lars Von Trier: "Dancer In The Dark".

"Dancer In The Dark" conta-nos a história de uma emigrante checa, Selma (numa brilhante e magnética interpretação de Björk), uma mulher simples, mãe solteira, muita humana com bom coração, mas com uma terrível doença hereditária que lhe cegará. Com o pressentimento de que o mesmo lhe acontecerá ao filho, Selma junta algum dinheiro para conseguir pagar uma operação que lhe deverá salvar o filho. Acusada falsamente de ter roubado o dinheiro ao seu vizinho termina presa e, “encurralada”, acabará por cair num trágico final…


Enquadrado na trilogia “Golden Heart – Coração Dourado (à letra)” pretende ser um drama mas, ao mesmo tempo, ter um tom musical e, não sendo, de facto, um musical enquadra perfeitamente as canções com as cenas do filme. O gosto da personagem Selma pelos musicais de Hollywood, nomeadamente a paixão por “Música no coração”, é majestosamente trabalhado por Von Trier com planos de câmara que dançam juntamente com as personagens.
Não vi, ainda, os dois filmes anteriores da trilogia (“Ondas de paixão” e “Os Idiotas”) portanto é-me impossível comparar a terceira obra com as outras duas… Mas, vejo que, de facto, esta é uma obra magnífica que nos prende até ao último segundo…

O filme recebeu, merecedoramente, a Palma de Ouro e o Prémio de Interpretação Feminina para Björk no Festival de Cannes, em 2000.


O tom forte e provocante de Lars Von Trier mostra-se, mais uma vez, brilhantemente neste filme, embora seja, provavelmente, dos filmes mais leves do cineasta mas é completamente inconfundível de não ser uma obra sua.

Não dou a classificação máxima ao filme devido, mesmo, ao seu final que, com a luta de Selma e a possível reviravolta judicial, deveria ser mais “feliz”.

“Dancer In The Dark” consegue estar “às escuras” para a personagem que, aliás, é como a personagem dança: às escuras mas, “às claras” na emoção!  

Veredito: