sábado, 13 de dezembro de 2014

European Film Awards 2014



Os European Film Awards 2014 são entregues esta noite, às 18h, e pela primeira vez (finalmente!), tem transmissão em direto na RTP2.

Aqui estão as minhas previsões para os European Film Awards 2014, das categorias em que foram divulgados os nomeados:

Nota: algumas categorias estão marcadas -- por não ter visto (ou conhecer) qualquer filme da categoria; as restantes categorias escolhi em base, não só de filmes já vistos por mim, mas, também, pelas cerimónias de prémios (ou críticas) já decorridas.

Filme Europeu:
Ida, Pawel Pawlikowski ou Ninfomaníaca, Lars Von Trier

Comédia Europeia:
--

Realizador Europeu:
Pawel Pawlikowski, Ida

Atriz Europeia:
Marion Cottilard, Dois dias, uma noite

Ator Europeu:
Timothy Spall, Mr. Turner

Argumentista (s) Europeu (s):
Irmãos Dardenne, Dois dias, uma noite

Revelação Europeia:
Party Girl

Documentário Europeu:
Sacro Gra, Gianfranco Rosi

Filme de Animação Europeu:
--

Curta-Metragem Europeia:
--

Escolha do Público:
Ninfomaníaca, Lars Von Trier

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A magia aos olhos de Woody Allen



O novo filme de Woody Allen chegou hoje às salas portuguesas. Magia ao Luar conta, nos papéis principais, com Colin Firth e Emma Stone, tendo, também, no restante elenco nomes como Jacki Weaver, Hamish Linklater, Eileen Atkins, entre outros.


Um mágico de truques Orientais (Wei Ling Soo/Stanley – Colin Firth) é chamado pelo seu grande amigo de longa data, Howard (Simon McBurney), a fazer mais um dos seus habituais trabalhos – desmascarar médiuns… É aí que surge Sophie (Emma Stone) que lhe irá baralhar todo o seu habitual sistema…



Longe dos grandes trabalhos de Woody Allen (como Annie Hall ou Manhattan), não chega, sequer, a superar o último trabalho – Blue Jasmine (que foi grandiosamente ostentado pela magnífica interpretação de Cate Blanchett) mas supera, sem dúvida alguma, o anterior a esse – Para Roma com Amor (provavelmente o mais fraco [ou, pelo menos, um dos mais fracos] trabalhos da carreira de Allen) …


Woody Allen fez a escolha acertada ao confiar a fotografia a Darius Khondji (com quem já havia trabalhado em Meia-noite em Paris ou Anything Else – A vida e tudo o mais) garantindo uma brilhante fotografia de época da Riviera Francesa dos anos 20, embora tenha uma pequenina falha pouco depois do início do filme que são reflexos solares que, acho, poderiam ser perfeitamente evitáveis…



O filme sustenta-se com a interpretação de Colin Firth que quer a todo o custo (mesmo tendo de ser sarcástico ou grosseiro) desmascarar a médium pois acredita, veemente, que não existem magias ocultas, não é possível o contacto com o oculto nem com o depois da vida…


Não é a primeira vez que Woody Allen lida com a magia ou a arte oculta (lembremo-nos do brilhantemente genial A maldição do escorpião de Jade) nem com os loucos anos 20 em França (que, aqui, felizmente, não se mostram demasiado exagerados como em Meia-noite em Paris, tendo, portanto a porção certa da época) …



É sempre agradável voltar ao cinema para mais uma obra anual de Allen com os habituais agradáveis sons do jazz, as habituais intrigas/pensamentos profundos, os habituais créditos, as habituais personagens complexas… Há, apenas, uma exceção neste filme – o final feliz – que não é nada habitual em Allen…


Veredito: ★★★★

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Um "Monstro" Grandioso!


Ontem, passei uma grande e maravilhosa tarde com uma grandiosa obra-prima do realizador chileno (ou será português?, pelo menos conhece bastante os portugueses e a sua História...) Raúl Ruiz, não só grande de duração mas, também, de qualidade!

O cinema português ficou em grande com esta magnífica obra!

Mistérios de Lisboa é baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco e é um filme histórico de época que percorre o séc. XIX, século das Invasões Francesas em Portugal, do Absolutismo e do consequente Liberalismo (que se propagou pela Europa) …

Brilhantemente filmado, bem construído, a nível histórico e cinematográfico, Raúl Ruiz mostra-se como um verdadeiro mestre ao trazer-nos esta magnífica obra…


É difícil falar do filme com uma ação central, pois ele percorre várias histórias durante quase um século inteiro… Mas há uma personagem central que se liga, e está presente, em todas as histórias: o Padre Dinis, que se mostra como o conselheiro de praticamente todas as personagens. A outra personagem principal do filme é Pedro da Silva, um menino, supostamente, órfão que é recolhido pelo Padre e é ele quem lhe vai contar tudo sobre a sua identidade…


A fotografia de André Szankowski (nomeado para o Prémio Sophia para Linhas de Wellington, no ano passado) é simplesmente perfeita, guarda-roupa de época perfeito, planos e cenas encantadores (onde se destacam as cenas de baile), uso de luzes de mestre (só comparável com o, também, magnífico trabalho de Manoel de Oliveira) onde se destacam, não só, luzes escuras como também incríveis trabalhos de sombras (onde destaco a reflexão da luz do sol),…


Há, também, uma “pré-ligação” a Linhas de Wellington, em relação às cenas das Invasões Francesas.
Mistérios de Lisboa é, de facto, um “monstro” do cinema português, completamente sem falhas cinematográficas de realização e de interpretação (que é, também, de louvar as magníficas interpretações dos nossos atores, nomeadamente, Adriano Luz (o Padre), Maria João Bastos (a mãe de Pedro), Afonso Pimentel e o jovem João Luís Arrais (o Pedro da Silva, jovem e adulto), entre outros…) e pode-se ver como o E Tudo O Vento Levou português… E Tudo O Vento Levou mestria a Guerra Civil Americana e Mistérios de Lisboa a época de esplendor português (depois dos Descobrimentos) com a revelação da nobreza e da aristocracia… É, de facto, um trabalho de mestre!
Veredito:

terça-feira, 1 de julho de 2014

A emoção da escuridão


Vi, faz hoje precisamente uma semana, um grandioso filme do grande mestre dinamarquês Lars Von Trier: "Dancer In The Dark".

"Dancer In The Dark" conta-nos a história de uma emigrante checa, Selma (numa brilhante e magnética interpretação de Björk), uma mulher simples, mãe solteira, muita humana com bom coração, mas com uma terrível doença hereditária que lhe cegará. Com o pressentimento de que o mesmo lhe acontecerá ao filho, Selma junta algum dinheiro para conseguir pagar uma operação que lhe deverá salvar o filho. Acusada falsamente de ter roubado o dinheiro ao seu vizinho termina presa e, “encurralada”, acabará por cair num trágico final…


Enquadrado na trilogia “Golden Heart – Coração Dourado (à letra)” pretende ser um drama mas, ao mesmo tempo, ter um tom musical e, não sendo, de facto, um musical enquadra perfeitamente as canções com as cenas do filme. O gosto da personagem Selma pelos musicais de Hollywood, nomeadamente a paixão por “Música no coração”, é majestosamente trabalhado por Von Trier com planos de câmara que dançam juntamente com as personagens.
Não vi, ainda, os dois filmes anteriores da trilogia (“Ondas de paixão” e “Os Idiotas”) portanto é-me impossível comparar a terceira obra com as outras duas… Mas, vejo que, de facto, esta é uma obra magnífica que nos prende até ao último segundo…

O filme recebeu, merecedoramente, a Palma de Ouro e o Prémio de Interpretação Feminina para Björk no Festival de Cannes, em 2000.


O tom forte e provocante de Lars Von Trier mostra-se, mais uma vez, brilhantemente neste filme, embora seja, provavelmente, dos filmes mais leves do cineasta mas é completamente inconfundível de não ser uma obra sua.

Não dou a classificação máxima ao filme devido, mesmo, ao seu final que, com a luta de Selma e a possível reviravolta judicial, deveria ser mais “feliz”.

“Dancer In The Dark” consegue estar “às escuras” para a personagem que, aliás, é como a personagem dança: às escuras mas, “às claras” na emoção!  

Veredito:

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma viagem pela maravilha...



“A Vida Invisível” de Vítor Gonçalves (realizador português que regressa ao cinema 25 anos depois do seu último filme: Meia Noite) é um filme perfeito. Sem falhas… pelo menos, para mim…

Hugo é um homem em negação em relação a si próprio e aos outros… Vive à parte e sente uma relação profunda de compaixão com a escuridão… Mas a morte do seu colega de trabalho António e o relacionamento com a sua antiga paixão, Adriana colocam-no numa perspetiva diferente embora, ainda, bastante isolado…

Hugo irá reacender a chama com Adriana ao mesmo tempo que vasculha os antigos filmes em Super 8 de António… 


“A Vida Invisível” encanta o espetador com o espetacular trabalho de câmara de Vítor Gonçalves com brilhante uso de ângulos visuais e um espetacular uso da cor, maioritariamente, em tons negros mas, ainda assim, perfeitos…

O realizador faz, também recurso a espetaculares segmentos em Super 8 que, de certa forma, podem-se rever como uma antítese da própria história retratada…



Um filme a não perder que continua em exibição no cinema Medeia Monumental que vale não só propriamente pela história em si (que é ótima, interessente e cativante, apesar de, em certa forma, degradante), mas pelos brilhantes segmentos Super 8 e pelo excelente trabalho de câmara! 

Veredito: